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Programa janeiro/março 2021
Num ano como este, a braços com uma pandemia de proporções até hoje desconhecidas mas também com uma campanha de vacinação à escala global, criar, mais do que nunca, deve ser um gesto de rigoroso desafio assim como de reflexão sobre as ideias e ações vigentes, com vista a uma ocupação convicta do território da Possibilidade. Apresentar espetáculos e concertos, promover laboratórios artísticos, convocar artistas e pensadores para se reunirem à volta dos mais variados temas é uma tomada de posição. Esta tomada de posição espelha uma vontade indomável de continuar a oferecer bolsas de oxigénio, para que se possam respirar ares que embriaguem, que enfeiticem, que inspirem, que elucidem e que, mesmo que nos façam cambalear, não nos intoxiquem. Um teatro é, por excelência, o lugar do ensaio de qualquer mudança porque é o lugar do exercício da flexibilidade do presente. O lugar onde a auscultação atenta dos escritores-fantasmas da atualidade (os artistas) e dos seus amadores e amantes (os espectadores) se pode continuar a fazer com transparência. Como?

Continuando projetos e encontros, convidando novos artistas a associarem-se e cativando novos públicos; reinventando o nosso modo de estar e de ser em conjunto, criando e alimentando novas parcerias e novos formatos, sem nunca esquecermos os mestres, a técnica, as tradições e os livros. Possibilitando os recuos e avanços necessários a qualquer caminho que se deseja trilhar mas que se desconhece. Potenciando a paragem, o erro, a alteração de rumo. Mantendo sempre a curiosidade acesa e a disponibilidade para o fascínio, combustíveis essenciais para a filosofia, a criação artística, o amor (o namoro?) no fundo, a condição humana.

Vivemos num ritmo acelerado de transformação, que nos pode atirar para um mundo melhor ou para um retrocesso potenciador, se o deixarmos, da paralisia. Em 2021, ainda podemos escolher. Ainda temos espaço para testar e para descobrir.

Este é também o primeiro ano de uma nova direção artística no Teatro Viriato. Uma direção que dá os seus primeiros passos num ambiente que combina a incerteza, a improbabilidade e a surpresa, que sempre acompanham a criação artística, e a estabilidade de uma equipa com duas décadas, que faz navegar um navio que é também um farol nas artes performativas nacionais. Num momento peculiar como este, um teatro é o lugar mais próximo de tudo o que nos faz falta: o encontro, o toque, a cumplicidade, mas também a estranheza, a diferença, o questionamento e a possibilidade de futuros alternativos.

Um diretor artístico é um leitor-espectador especializado, que mete o nariz onde não é chamado porque não resiste a seguir os aromas mais subtis para encontrar a cozinha alquímica que os produz e para a dar a conhecer a todos os que a quiserem saborear. A grelha de espetáculos que agora vos apresento é um acidente feliz, entre o que os artistas pretendem fazer, o que um teatro procura e o que cabe lá dentro (sendo que o que cabe lá dentro depende sempre do tamanho da nossa capacidade para imaginarmos juntos). É com assombro e algum nervosismo que me sento a esta secretária para vos escrever este texto que abrirá o programa do trimestre de janeiro a março de 2021. Ler uma programação impressa numa folha de papel antes de esta acontecer é como ler o mapa astrológico das ideias que nos guiarão muito em breve. E, ao ler o nosso programa, vejo muitos rostos diversos que se debruçam sobre as aflições mais imediatas e as questões mais universais.

Vejo espetáculos icónicos, como o “The show must go on”, do coreógrafo Jérôme Bel, que, entre Queen e “Private dancer”, celebrará os seus vinte anos, itinerando pelo nosso país com um elenco inteiramente residente em Portugal (e que será apresentado na nossa casa já no dia 29 de janeiro, dia em que celebramos 22 anos de existência).

Vejo laboratórios dramatúrgicos pioneiros como o End – Encontro de Novas Dramaturgias –, com coordenação de Mickaël de Oliveira, o nosso mais recente Artista Associado. Um laboratório onde novíssimos dramaturgos estarão a escrever obras para o futuro das mais variadas plataformas, analógicas e digitais, plugged e unplugged.

Vejo três estreias de espetáculos inteiramente criados em Viseu, com elencos diversos que por cá se estabelecerão por uns tempos para responderem às inquietações do presente a partir de autores que nos habituaram a desafiar os nossos preconceitos. Miguel Castro Caldas apresenta-nos “A fragilidade de estarmos juntos”, que nasce da urgência de responder a um desafio filosófico colocado por um outro espetáculo de um outro dramaturgo, Tiago Rodrigues em “Catarina e a beleza de matar fascistas”; Sónia Barbosa (Artista Associada) termina a sua investigação à alma de Dostoiévski, com “Aleksei ou a Fé”; e Fraga, encenador, ator e emblemático professor de teatro do Instituto Politécnico de Viseu, que escolhe Brecht e a pergunta «como se toma uma decisão?», em “Senso”, para regressar aos nossos palcos após uma longa ausência.

Vejo ainda a companhia Amarelo Silvestre a ensaiar a sua “República”; Gonçalo Alegre a filmar a sua nova obra no nosso palco; e Keli Freitas, encenadora e dramaturga brasileira, vencedora de uma das bolsas d’ O Espaço do Tempo/BPI | Fundação “la Caixa”, que também apoiamos, a ensaiar os primeiros passos da última parte da sua trilogia.

Vejo ainda que os nossos palcos não serão só de tábuas, serão também de telefones, digitais e outros espaços fora do Teatro, algo que já acontecia mas que se afirmou em 2020. Revisitaremos o “K Cena - Projeto Lusófono de Teatro Jovem”, mantendo o contacto com os quatro países de língua portuguesa participantes (Brasil, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Portugal), continuaremos a seguir o Teatro do Silêncio no nosso SubPalco e iniciaremos a construção de um “Roteiro Digital da Boa Morte” em São Tomé e Príncipe.

Vejo, com olhos cúmplices de anfitriã, a chegada de Sérgio Hydalgo, programador de música da Galeria Zé dos Bois, que convidámos para um semestre de programação de música no Teatro, cujo primeiro concerto será B Fachada e que promete outros concertos memoráveis com alguns dos melhores músicos residentes em Portugal.

Neste primeiro trimestre, lançaremos todos os dados, com o “Aniversário da Arte”, a 15 a 17 de janeiro, e a partir daí tentaremos manter a porta sempre aberta, assim como todos os restantes canais disponíveis, acaso a porta física do edifício alguma vez tiver de voltar a fechar.

Termino estas minhas primeiras palavras com um gigante obrigada a parceiros de longa data, como o Cine Clube de Viseu, o Museu Nacional Grão Vasco, o Festival Internacional Música da Primavera, entre tantos outros com quem há muito partilhamos o nosso caminho. Dou ainda as boas-vindas ao Museu do Côa, ao Carmo’81 e aos Jardins Efémeros, de quem acolheremos projetos muito em breve e, espero, por muitos anos.

Patrícia Portela (Direção Artística)

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