Por estes dias, todos discutimos restrições, incansavelmente. No trabalho, nos transportes públicos, nos cafés e restaurantes, nos museus, e, claro, também nos teatros, e nas salas de cinemas. Frascos de desinfetante nas entradas, uso obrigatório de máscaras, regras de afastamento entre equipas que colaboram, novas regras para a utilização de camarins ou do ar condicionado. A situação é tão desconcertante que é fácil estas discussões técnicas secundarizarem a nossa missão: a de estarmos abertos, criando, produzindo e acolhendo obras que estejam em sintonia com os tempos em que se vive.
Hoje reabrimos as portas físicas do Teatro Viriato com um concerto que só pode existir porque é feito por uma família que vive e toca sob o mesmo teto, um grupo de artistas que continuou a abraçar-se e a beijar-se, sem distância, durante estes meses de confinamento. Tangerina, da Gira Sol Azul, é uma das poucas criações que não foi recalendarizada ou transformada noutro objeto artístico, mantendo-se no programa do Teatro Viriato.
No dia 06 de junho, venham espreitar, cá estaremos, para vos acolher de braços abertos, com todo o cuidado e carinho.
Quando a montanha não puder ir ao teatro, o teatro continuará a deslocar-se à montanha. Mas é com alegria que podemos dizer que a montanha, com todo o cuidado e atenção, já pode descer até ao nosso teatro. Uma coisa é certa: entre estes dois movimentos, encontrar-nos-emos sempre a cada etapa deste caminho, em casa ou no teatro, na rua ou no espaço digital, sempre exercitando o músculo da imaginação.
Patricia Portela