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17 nov 2012

27 OSSOS

Dança

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Quando penso no meu trabalho, quando penso em tudo o que tenho feito desde o início, e no que me dizem as pessoas no final das apresentações, e assim por diante — penso em Solidão. Na medida e no sentido em que somos sós. Na medida e no sentido em que somos uma experiência única, e guardamos dentro de cada um de nós coisas que ninguém mais conhece. Na medida e no sentido em que somos únicos, e todos diferentes uns dos outros. O medo de incompreensão está em todos nós, vive e manifesta-se na sensação de solidão que nos habita. O meu modo de pensar - ao pensar tudo isto - não é o de lançar um olhar "filosófico" sobre a vida, mas antes pensar para chegar a criar. Só eu posso fazer, só eu posso trazer à vida as minhas próprias criações. Quando as mostro, contudo, elas ficam expostas na sua transparência, literalmente: cada um dos espectadores pode olhar para o seu interior, e ver o que possuem de mais íntimo. Digo-o de novo: somos cada um um ser único, e, no entanto, em tudo feitos da mesma matéria. Tudo o que eu fizer emerge do fundo do meu ser, e, no entanto, possui a capacidade de atingir o ser de um outro. É isso o que mais estimo e o que mais me prende à criação artística: uma partilha de sensações que nos levam até pensamentos guardados e silenciados.  É isso pelo menos o que tento fazer. Escrevo esta introdução para de algum modo explicar o que muitas vezes deveras não sei explicar. Não sei como me seria possível iluminar e apontar a razão pela qual chegam até mim certas idéias criativas, o modo como surgem à minha frente - o porquê desta vontade de criar, de dar a ver o que acabei de criar. Em contrapartida, depois de estar concluída uma peça, sou capaz de falar sobre ela com maior facilidade. Nesse momento, quando passou já todo o processo de criação - encadear os pensamentos apenas para os baralhar de novo uma vez mais −, descubro nela mil e uma coisas de que não me apercebi inicialmente.Tânia Carvalho
Programa (pdf)
Folha de sala (pdf)

Direção e coreografia Tânia Carvalho Interpretação Joana Gama, Luis Guerra, Luiz Antunes e Sandra RosadoMúsica original Diogo Alvim  Figurinos Aleksandar Protic  Caracterização Tânia Carvalho Direção técnica som e luz Zeca Iglesias Produção e difusão Sofia Matos Produção BOMBA SUICIDA Coprodução Teatro Viriato (Viseu) Residência artística O Espaço do Tempo (Montemor-o-Novo), Cine Teatro S. Pedro (Alcanena) e Teatro Viriato (Viseu)Apoio Alkantara (Lisboa)
Fotografia Margarida Dias

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